'Ele tinha muito ódio e intenção de matar alguém', diz vítima agredida por vizinho na Tijuca
'Ele tinha muito ódio e intenção de matar alguém', diz vítima agredida por vizinho na Tijuca "Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de ...
'Ele tinha muito ódio e intenção de matar alguém', diz vítima agredida por vizinho na Tijuca "Ele tinha ódio, muito ódio. Ele estava com a intenção de matar alguém. Ele falava o tempo todo só em matar." O relato é de uma das mulheres agredidas por um morador de um condomínio na Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A vítima, contou com exclusividade em entrevista à GloboNews que acreditou que morreria durante o ataque. A mulher sofreu uma fratura no rosto, pode precisar passar por uma cirurgia e afirma que tem medo de continuar morando no prédio. A vítima, que não será identificada por questões de segurança. contou que foi surpreendida pelo agressor quando tentava ajudar outros moradores. Segundo ela, o homem ordenou que se ajoelhasse e começou a espancá-la depois que ela se recusou. "Eu não imaginava que iria me atacar daquela forma porque eu não fiz nada. Ele começou mandando eu ajoelhar para me agredir. Eu pensei que ele estivesse de brincadeira, mas não. Ele falou: 'Ajoelha, ajoelha'. Eu não ajoelhei e ele começou a me espancar", relatou. A vítima disse que recebeu vários socos na cabeça e que o homem tentou imobilizá-la com um golpe conhecido como "mata-leão". "Quando ele tentou me dar um mata-leão, eu quase desmaiei, mas consegui reagir. Foi aí que clamei por Deus. Pensei: 'Meu Deus, será que eu vou morrer?'. Eu estava ficando sufocada", contou. 'Ele tinha muito ódio e intenção de matar alguém', diz vítima agredida por vizinho na Tijuca Segundo a moradora, durante as agressões, o homem repetia que mataria todas as pessoas do condomínio e fazia gestos de arma com as mãos. "Ele só dizia que ia matar todo mundo. Falava que ia matar todo mundo do prédio. Ele só dava soco na minha cabeça. Eu usei o braço para me proteger e ele também atingiu o meu braço." O agressor continua preso no Presídio de Benfica e ainda deve passar por audiência de custódia. 'A dor da alma é pior' A mulher foi socorrida pelos bombeiros e levada ao hospital. Ela contou que só conseguiu perceber a gravidade dos ferimentos na manhã seguinte, quando viu o próprio rosto. "Eu fraturei um osso no rosto. Talvez tenha que fazer uma cirurgia. Ainda sinto muita dor na cabeça, no braço, na barriga, no abdômen. Estou tomando medicação, mas tenho que retornar para refazer os exames", disse. Lucas Portela Fontana Gomes agride vizinha no elevador Reprodução Além das consequências físicas, a vítima afirma que enfrenta o medo de encontrar novamente o agressor, com quem nunca havia tido contato. "Eu estou assustada, com medo de ficar aqui. Tenho medo de encontrar com ele." Ao falar sobre as consequências do ataque, a moradora disse que o sofrimento psicológico pode ser ainda mais difícil de superar do que os ferimentos. "Apesar das dores do corpo, eu acho que a dor da alma é pior. A do corpo a gente cuida, mas agora a da alma já é complicado", desabafou. A vítima disse que espera que o agressor permaneça preso para que não ataque outras pessoas. "Espero que seja feita justiça. Ele poderia ter tirado a vida de alguém, igual à senhorinha que ficou desacordada no chão. A minha também. Ou até mesmo de uma criança. É muito assustador, porque, se ele fez isso comigo, vai fazer com outras pessoas, outras mulheres, até chegar ao ponto de matar alguém." ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 RJ no WhatsApp Condomínio avalia expulsão do agressor O condomínio já formalizou um pedido ao proprietário do apartamento para que sejam tomadas providências para retirar o agressor do imóvel. Segundo o advogado André Luiz Junqueira, que representa o condomínio, a administração também avalia uma ação judicial para excluir o morador por comportamento antissocial. O homem é inquilino e mora no edifício há cerca de quatro anos. De acordo com o advogado, não havia registros anteriores de incidentes ou conflitos relevantes envolvendo o morador. Segundo a polícia, ele já possuía passagens por lesão corporal e fuga de trânsito. "Isso assustou toda a coletividade. O condomínio já formalizou um pedido de despejo ao proprietário do imóvel, tendo em vista a quebra contratual grave desse inquilino, para que ele seja removido imediatamente via ação de despejo", afirmou Junqueira. Segundo o advogado, o proprietário também ficou assustado com o episódio e demonstrou disposição para tomar providências. O condomínio aguarda uma resposta formal. Paralelamente, a administração estuda recorrer diretamente à Justiça para impedir que o agressor volte a ocupar o apartamento. Junqueira explicou que o entendimento majoritário é de que uma ação para excluir um morador antissocial precisa ser precedida de aprovação em assembleia condominial. Neste caso, porém, a administração avalia não realizar a reunião por receio de expor os moradores a possíveis represálias. "É natural que os moradores tenham receio de represálias, tendo em vista a violência dos ataques e também de não saber quem essa pessoa conhece e que possa causar mal aos vizinhos. Então, estamos avaliando mover uma ação diretamente, demonstrando ao juízo a gravidade do comportamento dele, e conseguir expulsá-lo", explicou. O advogado afirmou ainda que o condomínio aguarda o resultado dos pedidos de medidas protetivas para garantir que, caso o agressor seja solto, não retorne ao prédio e volte a ameaçar as vítimas. Vítima tentou ajudar vizinhos antes de ser agredida Vítima diz que lutador que espancou vizinhas em prédio na Tijuca fez ameaças A mulher contou que estava dormindo quando ouviu gritos de crianças, adolescentes e adultos no condomínio. Como estava sozinha em casa, decidiu descer para descobrir o que estava acontecendo. Ao chegar à área comum, encontrou moradores assustados. Uma família relatou que um homem havia invadido seu apartamento e ameaçado matar todos. Uma idosa teria permanecido no imóvel. "As crianças estavam pedindo pela avó. Eu falei: 'Calma, vou ver o que posso fazer'. Fui tentar ajudar. Quando ele me viu, já partiu para a agressão, sem perguntar nada", relembrou. Segundo a vítima, o agressor demonstrava ódio especialmente contra mulheres. Ela afirmou que, apesar da presença de outros moradores no prédio, as agressões físicas foram direcionadas a mulheres. "Só agrediu mulheres. O problema dele era com mulher, não sei por quê. Ele só agrediu as mulheres e tentou invadir apartamento onde tinha mulher", afirmou. A moradora contou que vive no condomínio há seis anos e nunca havia visto o agressor antes do episódio. Lucas Portela Fontana Gomes agride vizinha no elevador Reprodução Ela soube, já no hospital, que outra mulher, uma idosa, também havia sido agredida e precisou de atendimento médico. Segundo seu relato, o homem também arrombou portas de apartamentos durante a confusão. A vítima afirmou que o agressor ameaçava matar os moradores repetidamente e que chegou a temer que ele estivesse armado. "Do jeito que ele estava agindo, pensei que ele tivesse uma arma e fosse matar todo mundo. Era só isso que ele falava. Repetia que ia matar todo mundo." Defesa das vítimas pede medidas protetivas A advogada criminalista Marisa Dreys, que representa as vítimas, afirmou que já foram solicitadas medidas protetivas e que a atuação jurídica está concentrada na proteção das mulheres e na reunião de provas para a investigação criminal. Segundo Marisa, as imagens das câmeras de segurança, que registraram as agressões contra a mulher, mostram apenas parte da violência sofrida pelas vítimas. "Essas imagens mostram a violência do ato, mas elas não mostram o medo, a dor e as consequências que essas mulheres terão daqui para frente", afirmou. "A nossa atuação jurídica, técnica, é no sentido de acolhimento em primeiro lugar, das medidas protetivas que já foram solicitadas e da coleta de provas para facilitar a instrução criminal da melhor maneira", acrescentou. A advogada também elogiou o trabalho realizado pela polícia. "É preciso destacar o excelente trabalho da polícia, porque, ainda que haja leis, se elas não forem bem aplicadas, isso não adianta nada. O que eu pude presenciar foi um excelente trabalho da delegacia." Ainda em recuperação, a vítima afirma que precisa de garantias de segurança para continuar vivendo no condomínio. "Eu preciso ter a certeza de segurança aqui no condomínio. Se ele voltar para cá, já não sei como vai ser. É uma pessoa que passa medo. Não dá para conviver." Como foram as agressões Lutador é preso após agressões a vizinhas em condomínio na Tijuca Segundo os relatos reunidos na investigação, por volta da 1h Lucas Portela Fontana Gomes invadiu, sem motivo aparente, o apartamento de uma vizinha no 3º andar e agrediu uma idosa de 81 anos. Os parentes dela conseguiram deixar o imóvel e foram até a portaria pedir ajuda. Uma vizinha do 2º andar, de 40 anos, ouviu os gritos e os pedidos de socorro e também desceu ao térreo. “Ele está com a minha avó!”, lhe disse um jovem. Ela, então, subiu ao 3º pavimento para verificar o que estava acontecendo. Ao chegar, encontrou Lucas já na porta no elevador. Cachorros que estavam soltos no corredor entram na cabine. Lucas, descalço e sem camisa, exige que a vizinha ajoelhe. Na sequência, dá um chute. “Você não me bate!”, pede a mulher. O agressor ignora a súplica e inicia uma brutal sequência de socos e cotoveladas. A vítima, em vão, tenta se proteger com as mãos. O elevador desce ao térreo, mas ninguém aparece para ajudar. As agressões continuam: Lucas encurrala a vizinha do elevador e passa a empurrar a cabeça dela contra uma parede. Depois, pelas costas, a estrangula com um “mata-leão” e a leva para o chão. A mulher tem dificuldades para respirar. Lucas a solta, deitada no piso, e passa a socá-la no rosto, apoiando-se de joelhos no peito da vítima. Os cães tentam impedir as agressões. O criminoso ainda a pega pelo pescoço e bate várias vezes a cabeça dela no chão. Lucas, então, sai do elevador e anda pela portaria, aos gritos. Ensanguentada e com dificuldades para se levantar, a mulher sai do elevador, deixa o prédio e se abriga em um posto de gasolina próximo. Lucas sobe de volta ao 3º andar. Pela manhã, policiais militares do 6º BPM (Tijuca) e agentes da Guarda Municipal foram chamados. Segundo o registro do caso, Lucas reagiu à abordagem e tentou pegar a arma de um policial. Os PMs atiraram nas pernas dele. Ainda de acordo com o registro, mesmo ferido, Lucas resistiu à prisão e tentou subir pelas escadas. Ele foi imobilizado após o uso de uma arma de choque.